A gente vai aprendendo a deixar de lado toda a problemática.
E quando não se sabe ser colo, recebe o colo.
Quando não se sabe ser segurança, recebe a confiança.
Nos movimentos entre o dar e o receber.
No equilíbrio entre as polaridades.
Perdoa a minha falta de habilidade quando se trata de assuntos que envolvem sensibilidade.
Meu traquejo é outro.
Para tudo que se refere à sensibilidade, eu mesma não dou conta de mim.
Mas estamos trabalhando, Dr Alessandro e eu, nos vemos religiosamente às 10, toda quarta-feira.
Quando consigo dividir o meu tanto, fica tudo mais leve.
Sempre tenho lenços.
Sempre um copo d’água.
Sempre me desidrato.
Dói. Choro.
Alivia e clareia o pensamento.
Quando me tornei mais sensível, a vida bateu forte na minha face, me pedindo para acordar.
Foi um despertar diferente.
Foi horrível, não nego.
Eu que sempre gostei de amanheceres, com ânsia de viver, passei a desprezar esse momento.
E me tornei uma apreciadora de entardeceres.
O entardecer sempre me mostrou que venci mais um dia e que curar a dor é só uma questão de tempo.
Medo.
Ele te sufoca.
Te faz diminuir a velocidade.
Te tira a voz.
E se acabar o vinho?
E se acabar a relação?
E se acabarem os recursos?
E se acabar a vida?
E se acabar o chocolate?
De mãos dadas com a harmonia.
Iluminada pelo sol.
Pés na areia.
Leve.
Vestida da cor do mar.
Confortável na minha própria pele.
Gosto de ir na contramão da massa.
Diamantes são raros.
O que mais tem é gema sintética.
Há muita força no que sou. E também muita fragilidade. E então, vira e mexe, cai uma lágrima sentida. Os olhos embaçam e as lágrimas cae...